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Ciccillo Matarazzo e Yolanda Penteado criam o MAM e doam ao novo acervo grande parte de sua coleção particular.
Léon Degand organiza a mostra inaugural “Do figurativismo ao abstracionismo”.
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1948 O industrial ítalo-brasileiro Francisco “Ciccillo” Matarazzo Sobrinho cria o Museu de Arte Moderna de São Paulo, um dos primeiros assentos institucionais da produção artística modernista no país, situado à rua 7 de Abril, no prédio dos Diários Associados, no centro da capital paulista. O modelo museográfico era o do Museum of Modern Art (MoMA) de Nova York, então presidido por Nelson Rockefeller, que dera instruções e obras para a nova fundação. Os estatutos gerais do MAM previam a constituição de uma entidade dedicada ao “incentivo do gosto artístico do público, por todas as maneiras que forem julgadas convenientes, no campo da plástica, da música, da literatura e da arte em geral”. Compunham o conselho de administração, entre outros, os arquitetos Villanova Artigas e Luís Saia e os críticos Sergio Milliet e Antonio Candido Mello e Souza.

Antes mesmo da inauguração oficial, no ano seguinte, o MAM expunha seu acervo ainda incipiente em sede provisória, na rua Caetano Pinto, endereço da Metalúrgica Matarazzo. Na coleção, havia telas de Anita Malfatti, Aldo Bonadei, Alfredo Volpi, Emiliano Di Cavalcanti, José Antonio da Silva, Juan Miró, Marc Chagall, Mário Zanini, Pablo Picasso e Raoul Dufy, entre outros. A maioria pertencera à coleção particular de Ciccillo e esposa, Yolanda Penteado.


1949 A exposição inaugural do MAM, “Do figurativismo ao abstracionismo”, aprofundava a discussão que começara anos antes, sobre a oposição entre a arte figurativa (de representação da natureza), já tida como retrógrada, e a arte abstrata (subjetiva), que surgira duas décadas antes na Europa, considerada “a vanguarda” das artes plásticas. Organizada pelo diretor do museu à época, o crítico belga de arte Léon Degand, a mostra reunia 95 obras, sobretudo de artistas europeus – já que problemas financeiros impediram a vinda de trabalhos originários dos Estados Unidos. Participaram nomes como Jean Arp, Alexandre Calder, Waldemar Cordeiro, Robert Delaunay, Wassily Kandinsky, Francis Picabia e Victor Vasarely. Todos eram abstracionistas. A exposição foi acompanhada do lançamento de catálogo trilingüe (português, francês e inglês), com textos da diretoria executiva, da diretoria artística e de Degand, além de reprodução e dados das obras.