Jorge Guinle (1947-87) teve uma trajetória artística breve e intensa. Iniciou seus experimentos plásticos nos anos 1960, enquanto residia entre Paris e Nova York, tendo oportunidade de freqüentar museus e galerias. Mudou-se para o Rio de Janeiro em 1965, transformando o próprio dormitório, na casa dos avós, num ateliê dividido com mais dois amigos; pintando sem parar, acaba por cobrir todos os objetos do cômodo de tinta, o que leva o avô a oferecer-lhe um espaço para servir de ateliê. Em 1973, realizou a primeira mostra individual no Rio. Assim, o ímpeto de pintar foi ganhando fôlego na vida de Guinle, embora não tenha sido moldado pela educação formal em escolas de arte.
Entretanto, foi na década seguinte que o artista encontrou a trilha estética que o consagraria. Sempre atento ao panorama da arte contemporânea européia, Guinle abraçou a pintura gestual e expansiva, contrária ao engajamento intelectualizado predominante na arte conceitual dos anos 1970. A partir de então, criou um estilo próprio, intensamente colorido.
O quadro de 1981, pertencente à coleção do MAM-SP, testemunha a descoberta da pintura em grande formato, abrindo o principal período da produção de Guinle. A tensão entre o figurativo e o abstrato é visível na maneira como o artista compõe os elementos da tela, dominada lateralmente por uma figura semelhante a uma pessoa. As cores contrastam entre si, sobretudo o azul e o marrom, negando harmonizações agradáveis e leves. Os escorridos da tinta evidenciam uma gestualidade livre de padrões preciosistas de acabamento e aberta às descobertas do momento.
Obras comentadas
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Jorge Guinle, sem título, 1981
Por: Felipe Chaimovich




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