Metaesquema, 1958, de Hélio Oiticica (1937-80), é uma obra de virada na história da arte brasileira. Esse guache sobre cartão mostra quadriláteros irregulares, aparentemente ajustados a uma grade, mas que fogem da rigidez dos ângulos retos.
Em 1958, Hélio Oiticica participava do grupo Frente, no Rio de Janeiro. Junto a artistas como Ivan Serpa, Aloísio Carvão, Lygia Pape e Lygia Clark, ele digeria os primeiros resultados da abstração geométrica no Brasil Até 1947, nunca houvera arte abstrata entre nós; o estilo tinha então apenas dez anos no país. O rigor da abstração concretista era questionado pelo grupo Frente.
No Metaesquema, Oiticica desestabiliza uma composição modular. Como diz o título, trata-se de ir além do esquema, quebrando metas. O resultado sugere o movimento das figuras que, ao invés de seguirem um padrão previsível, parecem dançar livremente sobre o plano.
Obras como Metaesquema levaram artistas abstratos rigorosos a criticarem duramente o grupo Frente, que acabou por se desintegrar, no final dos anos 1950. Em seguida, Hélio Oiticica radicalizou sua pesquisa, liberando os módulos dançantes da folha de papel, deixando-os soltos no ar, sob forma de relevos coloridos suspensos por fios. A abstração geométrica brasileira iniciava sua trajetória singular, pretendendo liberar as formas originadas da disciplina de linhas, figuras e sólidos.
Obras comentadas
-
::
Hélio Oiticica, Metaesquema, 1958
Por: Felipe Chaimovich




Museu de Arte Moderna de São Paulo :: Parque do Ibirapuera, portão 3 :: Tel.: 55 (11) 5085-1300