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  • :: Geraldo de Barros, Fotoforma (Ateliê Vieira da Silva) – Paris, França, 1951

    Por: Felipe Chaimovich

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              Geraldo de Barros (1923-98) foi um dos precursores da arte abstrata no Brasil. Até o final dos anos 1940, inexistia aqui tal partido visual. Mas, durante a Segunda Guerra Mundial, a pintora portuguesa Maria Helena Vieira da Silva emigrou para o Rio de Janeiro, fugindo da Europa; ela trazia consigo a prática da abstração, que ensinou a alunos e apresentou em exposições, sendo sua presença um marco do início do abstracionismo no país.
              Naquela época, Geraldo de Barros integrava o Foto Cine Clube Bandeirantes, em São Paulo. Lá começou a fazer experimentos abstratos com a fotografia, por meio de montagens. Ao aprofundar suas práticas, passou a empregar o termo “fotoforma” para intitular várias obras, na década de 1950, a partir de sua exposição individual de mesmo nome.
              Nesta obra, Geraldo de Barros homenageia Vieira da Silva com uma “fotoforma”, composta a partir de um fragmento de imagem do ateliê da artista em Paris, para onde ela emigrou definitivamente em 1947, ao deixar o Brasil. A referência fotográfica é apenas adivinhada: seria uma janela ou uma grade? O elemento original serve como base para a composição geométrica, na busca da forma abstrata livre do modelo. O uso do preto-e-branco enfatiza linhas e ângulos, aproximando a foto de um rigoroso desenho traçado a régua: mas é a luz mesma que deixa registrada a geometria do mundo, enfatizada pela mão compositora do artista.

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