O coletivo carioca Chelpa Ferro transita entre as artes visuais, a música e a performance. O grupo foi formado em 1995, sendo composto por Barrão, Luiz Zerbini e Sergio Mekler. Desde o início, o Chelpa Ferro apresenta-se em shows, cujos elementos sonoros, como instrumentos e mesas de som, são também obras plásticas. O som eletrônico é pesado; a atitude, roqueira.
Totó treme-terra é um objeto que convida à participação do público. Consiste em uma mesa de som acoplada a um pebolim, com sensores sonoros dispostos em todos os lugares em que ocorre movimento, seja de quem joga, seja das peças e da bola: manoplas, tabela do gol, piso etc.; além disso, há uma iluminação de cima para baixo sobre o campo, que sai de um braço lateral. Ao ser jogado, o pebolim aciona a aparelhagem sonora eletrônica, produzindo uma trilha particular para cada partida, que depende da intensidade dos participantes e da seqüência de jogadas.
A obra convida o público a participar pelo toque, levando alguns espectadores a formarem times e de fato jogarem partidas inteiras. Caso a obra só seja contemplada à distância, permanece como escultura muda, perdendo sua potência musical. A interatividade torna-se, pois, o diferencial da experiência estética integral do Totó treme-terra.
Ao ser exposta, a obra do Chelpa Ferro torna-se a trilha dominante do ambiente, articulando a diversidade de peças ao seu redor por meio do timbre eletrônico. Como o público é responsável pela produção do som, passa a interferir diretamente no resultado espacial da mostra, conforme as partidas se desenrolem, prossigam ou sejam interrompidas.
Obras comentadas
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Chelpa Ferro, Totó treme-terra, 2006
Por: Felipe Chaimovich




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