A obra Uma vista transita entre a fotografia e a instalação. Ela é composta de várias fotos em preto-e-branco, cada uma retratando um ângulo diferente de uma grande cidade. Por outro lado, todas essas imagens ficam pendendo do teto em posições calculadas para que, de um determinado ponto de observação, componham uma única figura, em que todas as partes se encaixam para formar uma grande cena urbana.
O observador pode, assim, relacionar-se de duas maneiras com a obra. Ao colocar-se no ponto calculado pelo artista, consegue ver o conjunto como uma única vista, devido ao encaixe perfeito das imagens. Por outro lado, circulamos por entre as fotos penduradas, como se estivéssemos dentro da paisagem urbana, fragmentada e caótica.
Ao penetrarmos na cidade retratada na instalação, ficamos impedidos de representar um espaço ordenado: de dentro, vemos apenas vias que se cruzam, fragmentos desencaixados, ausência de padrão. Só é possível sintetizar o quadro de fora dele: ali, no ponto calculado por Cássio Vasconcellos, ao olharmos com um só olho aberto, vemos tudo se juntar num panorama. Mas sabemos que a síntese é provisória: cada vez que abandonamos o ponto de vista externo e mergulhamos nas ruas, o caos urbano nos engole.
Obras comentadas
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Cássio Vasconcelos, Uma vista, 2002
Por: Felipe Chaimovich




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