|
|
 |

|
 |

Fotos:

Felipe Chaimovich
|
 |
MAM para todos os tempos
Entrevista: Washington de Carvalho Neves |
| |
O Museu de Arte Moderna de São Paulo conta agora com a atuação do curador Felipe Chaimovich, 38 anos, nascido do Chile e com doutorado em Filosofia pela Universidade de São Paulo. Ao aceitar o desafio, ele apresentou um projeto segmentado em três momentos de realização: a curto, médio e longo prazo.
A sua visão, como salienta na entrevista realizada numa tarde de final de janeiro na Biblioteca Paulo Mendes de Almeida, é a de olhar para o futuro e permanência da instituição. Para isso, a arte contemporânea brasileira é o núcleo da missão do Museu. Simultaneamente, Felipe Chaimovich quer fincar ainda mais os objetivos de fazer com que o setor Educativo ganhe força e projeção.
Leia em seguida os principais trechos da entrevista.
Quais são as suas atribuições a partir de agora no Museu de Arte Moderna de São Paulo?
Entrei para a curadoria do Museu e dentro dela passo fazer a coordenação de várias áreas do museu: das exposições, das publicações, da Biblioteca, do Educativo e, em parte, dos Clubes [Clube de Colecionadores de Gravura e Clube de Colecionadores de Fotografia] e também, em parte, do Núcleo Contemporâneo, que estão subordinados às áreas de negócios. Traçar as linhas de coordenação de todas essas áreas que trabalham para um mesmo fim e articuladamente é o meu papel curatorial.
Você deve trabalhar em conjunto com o Conselho Consultivo de Artes Plásticas, a presidência, a superintendência e a diretoria do MAM, além de se relacionar diretamente com a equipe do museu. Como você encara esse contexto?
Nessas relações hierárquicas, com áreas acima da curadoria, como a diretoria, o meu desafio é traçar grandes linhas de atuação. Quando entrei, apresentei um plano de curto prazo, correspondente a dois anos de trabalho, um de médio, para cinco anos, e um de longo, voltado para um período de 10 anos. As minhas ações estão alinhadas com essas perspectivas. Independente de quanto tempo eu ficar, acredito que a instituição pode levar em conta essas metas. É uma série de coisas especificadas, que agora parecem gerais, mas que serão implantadas, colocadas na prática.
Você pode dar exemplos?
Por exemplo, a linha de aquisição de obras para o acervo. À medida que isso for especificado, será apresentado à superintendência, à diretoria e à presidência para a viabilização.
O seu ponto de vista parece levar em conta principalmente o conceito de que o MAM é uma instituição permanente e que deve ser pensada a longo prazo...
A perspectiva de trabalho deve ser voltada para iniciativas de longo prazo. Acredito que isso é o que ordena as ações cotidianas e que devem lidar também com os imprevistos.
Vamos a uma abordagem mais imediatista. O que você pensa em colocar em ação já nesse período inicial do seu trabalho?
Tentar viabilizar novas parcerias do MAM com organizações fora do país. O que deve trazer novas tecnologias para o setor Educativo, para a Biblioteca, além da troca de exposições.
O MAM tem uma imagem consolidada no circuito de artes. O museu organiza sistematicamente exposições retrospectivas, monográficas e as internacionais. A instituição ainda reserva atenção para os possíveis recortes que dão visibilidade à coleção de arte contemporânea brasileira, mantida pelo museu. Obras do acervo viajam para mostras no exterior e integram coletivas pelo país. Qual é a contribuição que você dará a essa condição alcançada pelo MAM? Quais são os arranjos a serem dados ao cronograma do museu?
O cronograma de 2007 está fechado. Participei de sua elaboração como membro do Conselho Consultivo de Artes. No entanto, o trabalho continua a ser desenvolvido. Agora já está se trabalhando no cronograma de 2008.
Como fica a sua atuação diante do setor Educativo, que deu um salto qualitativo e ganhou projeção nos últimos 10 anos?
Inicialmente será realizada a produção de um boletim eletrônico bilíngüe do Educativo, que levará à sistematização dos projetos e das rotinas que são criadas por esse setor. E isso servirá de base para interesses tecnológicos. O projeto Igual Diferente [voltado para o público com necessidades especiais e ganhador de vários prêmios] é um exemplo. A sua atuação obriga o Educativo a gerar uma grande documentação sistematizada. Não só de registro, mas do que tem a oferecer à comunidade e a outras instituições. O projeto tem que ser organizado nesse sentido. Um dos segmentos da próxima edição de Documenta de Kassel [exposição que ocorre a cada cinco anos na Alemanha] tratará da educação nos dias de hoje. Isso sem isolar a arte, mas no sentido de a contemporaneidade encontrar confluências entre as exposições e o educativo.
O departamento de acervo registrou no ano passado um salto no número de aquisições e doações como não se via há 30 anos na história do museu. Qual é a sua atenção a ser dada para essa área fundamental do MAM, além daquilo que você disse sobre a política de aquisições?
O meu projeto é manter as linhas principais de aquisições que têm como foco a produção paulista e ampliar as aquisições para o que se produz no restante do Brasil.
Essa sua sensibilidade para a produção paulista e do Brasil tem relação com a sua experiência como curador do último Panorama [da Arte Brasileira, realizado a cada dois anos pelo MAM]?
Com certeza... A intenção é que a rotina do MAM seja voltada para uma coleção consagrada como a mais importante de arte contemporânea brasileira no Brasil.
Um dos aspectos respeitados do museu é o fato de levar a sério o registro da sua história e atividades, por meio do setor de publicações e pesquisas. O que você pretende fazer nessa área?
Manter essa qualidade e buscar exposições questionadoras, cujas publicações tragam propostas novas sobre a arte brasileira e internacional e tornem, além disso, esses catálogos em instrumentos de conhecimento. Para isso que levantem pontos polêmicos... Planejo, por exemplo, convidar um curador para organizar uma exposição em torno dessa recente doação de colagens de Guignard [realizada por Paulo Kuczynski e vistas em público pela primeira vez como integrantes da coleção na recente exposição MAM [na] OCA].
Os Clubes de Colecionadores de Gravura e de Colecionadores de Fotografia conquistaram um efetivo grupo de colecionadores, além de fornecerem obras de importância para o acervo do MAM. Você tem algo em mente para esses dois segmentos? E quanto ao Núcleo Contemporâneo?
Quanto aos clubes quero captar colecionadores estrangeiros e, para isso, em primeiro lugar, atingir a lotação máxima para 2007 de colecionadores locais. Para 2007 essa postura alavancará a proposta de expansão internacional para 2008. Para o Núcleo o projeto visa a formação de associados interessados em arte contemporânea, em atividades que esclareçam os processos da arte contemporânea, dentro e fora do museu.
O Panorama da Arte Brasileira sofreu mutações necessárias nas últimas edições, isso desde 1995. Como você avalia essa exposição que funciona como uma das colunas vertebrais da agenda do museu?
Concordo... O Panorama mudou e é de fato a coluna vertebral do MAM...
Como você analisa o desempenho do MAM dentro da febre de globalização cultural nesses últimos anos? Quais são os relacionamentos e parcerias positivas e possíveis entre o museu e as instituições similares na Europa, nos Estados Unidos, no Japão, na Argentina... Por outro lado, como o MAM deve preservar a sua identidade e missão?
O MAM ainda não tem essa projeção. Mas para isso teremos parcerias internacionais mais efetivas com o The Frost Museum [museu universitário norte-americano] e o IVAM [Instituto Valenciano de Arte Moderno, da Espanha]. A identidade do MAM deve ser preservada ainda que se aproxime desse boom internacional.
Para concluir. Como você encara a exposição MAM [na] OCA, que é sem dúvida um marco na história do museu? Ela impulsiona de alguma forma o seu trabalho?
O museu ganhou grande visibilidade local e do ponto de vista internacional avançou sua internacionalização. É uma experiência totalmente nova... Foram 100 mil visitantes. A partir dela o museu fortaleceu o valor de sua coleção.e mostrou que precisa sempre ser mostrada.
Para isso precisa de espaço...
Isso está sendo negociado. |
| |
| |
|