A modernidade e seu correlato idealismo utópico é o pano de fundo conta o qual, de alguma forma, apontam as obras em exposição. A assertividade de um projeto de futuro pleno de desenvolvimento socioeconômico, que no Brasil foi encabeçado pela construção de Brasília, foi substituída pela falência desse ideário com o fim das utopias de progresso e com a entrada de um novo âmbito de mudanças, agora micropolíticas e não mais utópicas. As utopias heróicas foram gradualmente substituídas por “ideais possíveis”, calcados nas micropolíticas, na sutileza e no cotidiano, nas mudanças na ordem imaginária do tempo e das paisagens urbanas.
Este “outro lugar” seria justamente aquele que não é nem a terra prometida do ideal moderno, tampouco o cinismo e a complacência com relação ao presente, mas sim uma posição ativa que acredita que pequenos movimentos podem resultar em grandes mudanças, diariamente. Propostas de um terceiro lugar, nem esse dado, nem aquele idealizado. O campo da arte contemporânea recente nos acena com essa chance, essa abertura.




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