Seu navegador não suporta JavaScript!
background background

MAM - Museu de Arte Moderna de São Paulo - Clique para voltar a página inicial

Clique para Aumentar a Fonte do Texto Clique para Diminuir a Fonte do Texto

Visite o MAM

:: Exposições Passadas

2011

  • :: Ordem e Progresso: Vontade Construtiva na Arte Brasileira

    27 JAN - 03 ABR

    Grande Sala

Ordem e progresso: vontade construtiva na arte brasileira aborda a mudança de projeto de país desde o pós-guerra na oposição entre rigor formal e desequilíbrio nas artes visuais.

Curadoria de Felipe Chaimovich

Na esteira da posse da nova presidente do país, as mudanças no projeto de Brasil surgidas desde o pós-guerra são vistas pela ótica das artes visuais na exposição Ordem e progresso: vontade construtiva na arte brasileira, com curadoria de Felipe Chaimovich. A coletiva que o Museu de Arte Moderna de São Paulo abre na Grande Sala no dia 27 de janeiro (quinta-feira), a partir das 20h, traz cerca de 80 obras do acervo do museu que mostram como o ideal de país do futuro dos anos 50, representado pela assertividade resplandecente do concretismo, se contrapõe a manifestações artísticas que transgridem o rigor formal e apontam para outras visões de Brasil. No início de 2011, o MAM-SP faz uma promoção e não cobra entrada durante todo o período da exposição.

Nos anos 50, o Brasil despontava como um país emergente, vencedor da Segunda Guerra entre os Aliados, acelerando sua incipiente industrialização e dono de uma moeda forte. A criação da nova capital, Brasília, projetada com simetria geométrica por Lucio Costa, coroava um ideário em que a beleza idealizada vinha da ordenação estática e da perfeição. Após atravessar um longo período de mudanças sociais, diversas crises econômicas e um regime militar de 21 anos (1964-1985), ecoando manifestações que se espalharam pelo mundo, o Brasil vê-se hoje novamente ocupando um papel de aspiração à liderança no cenário político e econômico internacional.

Paralelamente, o Estado não é capaz de suprir todas as necessidades de seus cidadãos, como no caso da saúde e da segurança, o que ainda coloca o Brasil como o 73º país na tabela do Índice de Desenvolvimento Humano da ONU, atrás de países como Bielorrússia, Cazaquistão e Azerbaijão. Isso faz com que o povo brasileiro busque soluções alternativas para os problemas não resolvidos pelo governo, em um processo de inteligência informal chamado de “gambiarra”, explorado pelo curador Moacir dos Anjos no 30º Panorama da Arte Brasileira, em 2007.

A dicotomia entre o ideal de Brasil do futuro e os problemas reais de um país ainda em desenvolvimento, mesmo nos dias de hoje, se torna evidente na produção artística desde o pós-guerra. Para tornar essa relação mais direta, a disposição das obras divide-se em quatro núcleos temáticos que exploram os contrapontos entre o construtivismo e a desordem, em vez de obedecer a ordem cronológica.

O primeiro deles aborda o concretismo em si, com obras de Alexandre Wolner, Lygia Pape, Lothar Charoux e Ivan Serpa, entre outros. Em contraposição, obras que usam a estética concretista com resultados distintos que subvertem a matriz, como a série de três vídeos “Repeat after reading” (2006), do venezuelano Mauricio Lupini, em que onomatopéias extraídas de três canções brasileiras da bossa-nova criam um jogo sonoro e visual que remete à poesia concreta.

A criação e a inauguração de Brasília dão tema ao segundo nicho, em que figuram fotos da capital do país pelas lentes de Thomaz Farkas, Orlando Brito e Mauro Restiffe (que entra com uma série de imagens, “Empossamento”, de 2003, recentemente integradas ao acervo do MAM pelo comodato do colecionador Pedro Barbosa), além dos pôsteres de Almir Mavignier. O contraste fica por conta de “composições esgarçadas por forças opostas, como a gravidade e a suspensão”, nas palavras do curador. São elas a instalação “Copulônia” (1989/91), de Ernesto Neto, em que meias de nylon suspensas no teto e preenchidas com bolinhas de chumbo formam gotas que cortam o espaço; e “Da Bauhaus ao nosso lar” (2005), tela de Caetano de Almeida que usa a geometria para criar um xadrez desordenado; entre outras.

No terceiro núcleo, corroborando a subervsão à lógica estrita, está a “Máquina curatorial” (2009), de Nicolás Guagnini, composta por quatro estruturas rotatórias, como portas, que servem à exibição de trabalhos de outros artistas, num trabalho de apropriação e de jogo de imagens na rotação, que se completa com a participação do público. Nela, estarão expostas obras de León Ferrari, Mario Ishikawa, Paulo Bruscky e Regina Silveira realizadas nos anos 1960, com forte teor político. Ainda nesse nicho, a ortogonalidade (composição em linhas e colunas) do jornal é base para trabalhos como o inflável ”Templo” (2000), de Franklin Cassaro e os flans de Antonio Manuel, também políticos, exibidos pela primeira vez desde sua aquisição pelo museu, no ano passado.

Finalmente, os processos construtivos da economia informal são o foco do último nicho, formado por obras como “Camelô” (1998), de Cildo Meireles, um bonequinho de 18cm que agita os braços (tração por fio e motor) junto às suas duas banquinhas de “produtos”; a série de fotos de carroceiros feitas por João Urban em 1999; e a instalação “Do universo do baile” (2008, também do comodato de Pedro Barbosa), de Mauricio Dias e Walter Riedweg, composta por 550 balanças verdes e amarelas que compõem um quadriculado no chão, e duas projeções, em uma das quais um travesti lê a Constituição da República Federativa do Brasil de 1988.

Clique para Voltar ao Topo da Página