Com um percurso pré-estabelecido pela curadora, a exposição é dividida em cinco blocos que contemplam trabalhos realizados por Portinari nas mais diferentes temáticas e sua busca de um estilo ainda indefinido no momento de formação, mas que veio se consolidando com o tempo até atingir uma feição própria, reconhecida pela crítica nacional e internacional. A tensão entre o diálogo com diferentes artistas, dentre os quais Picasso, e a busca de uma linguagem própria é o fio condutor da exposição.
O primeiro bloco – Da Escola Nacional de Belas-Artes a Paris –, contempla o período de formação do pintor. Tendo ingressado na escola carioca em 1920, Portinari estuda nela até 1928, quando ganha o prêmio de viagem ao exterior na 35ª Exposição Geral da instituição. Graças a ele viaja para a Europa em 1929 para ver de perto as obras dos grandes mestres. Nessa fase predominam os retratos, como os três do poeta Olegário Mariano, que confrontam-se pelas diferenças de estilo.
No segundo bloco, Um modelo constante, a série de retratos que o artista realiza tendo como modelo sua mulher, Maria, evidencia a liberdade estilística característica de seu período inicial, trazendo inspirações que remetem a Amedeo Modigliani, ao Pablo Picasso pré-cubista e a Giorgio de Chirico, entre outras várias influências.
Em Cenas brasileiras, surgem as representações pictóricas de elementos, situações e personagens cotidianos de Brodowski e do Brasil em geral. Obras como Domingo no morro (1935), Paisagem de Brodowski (1940) e Estivador (c. 1934) estão dentre as primeiras incursões de Portinari no universo nacionalista que mais tarde torna-se marca registrada de sua pintura.
Quando Portinari chega aos limites da representação pictórica na tela, parte naturalmente para a concepção de trabalhos murais, o que está representado no bloco Projetos monumentais. Ali, se encontram diversos estudos para obras de grandes dimensões, como os afrescos do Ministério da Educação e Saúde (1938), no Rio de Janeiro.
Finaliza a exposição uma vertente pouco conhecida do artista: a abstração. Mesmo não acreditando no abstracionismo como expressão eloquente do pensamento do artista, Portinari não se furtou a fazer incursões pelo gênero, como provam alguns de seus estudos e trabalhos, dentre os quais dois da série dos quatro elementos (1945).




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