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:: Exposições Passadas

2011

  • :: Judith Lauand: Experiências

    20 JAN - 03 ABR

    Sala Paulo Figueiredo

Judith Lauand: Experiências, recorte da produção da “dama do concretismo” entre os anos 1950 e 1970

Judith Lauand, dona de uma produção extremamente importante para a compreensão da arte brasileira contemporânea, é tema de retrospectiva que ocupa a Sala Paulo Figueiredo do Museu de Arte Moderna de São Paulo entre 20 de janeiro e 3 de abril, com entrada franca. A mostra Judith Lauand: Experiências tem curadoria de Celso Fioravante e apresenta em mais de cem obras um painel das vertentes exploradas pela artista em um período crucial para a consolidação de seu estilo, entre os anos 50 e 70.

Nascida em Pontal (interior de SP) em 1922, a artista (que ainda trabalha e reside em São Paulo) tem no ano de 1954 um marco em sua obra. Foi quando, dois anos depois de trocar Araraquara por São Paulo com a família, ela aderiu definitivamente ao concretismo, sob a influência de Geraldo de Barros e Alexandre Wollner. Foi a única mulher a integrar o Grupo Ruptura e participou da emblemática 1ª Exposição nacional de arte concreta.

Assim, a década de 1950 foi marcada pela adesão à essa escola, mas de forma particular. Dentro do rigor formal e do racionalismo exigidos pelo movimento, Judith Lauand soube infiltrar características como movimento, ritmo e tensão, desequilibrando a harmonia estática e matemática.

Já nos anos 1960, as novas vanguardas artísticas (como o pop, o tachismo e o novo realismo); o declínio do concretismo e a crise político e econômica que o país atravessava exigiam novas posturas da artista. “Essa conjunção de fatores forçou a artista a partir para novas experiências estéticas. A primeira delas, já em 1962, foi reduzir a importância do desenho e priorizar a relação entre cor e forma em suas pinturas”, segundo o curador.

Desse período, uma série emblemática é aquela em que a artista ocupa a tela quadrada com quadrados simétricos menores e em cores diferentes, produzindo um efeito de trama em xadrez na tela. Essa pesquisa permeou toda a produção de Judith Lauand durante a década de 1960. Novos suportes como reboco e saco de estopa ganham efeitos ópticos com aplicações de tachinhas, clipes, molas de arame, alfinetes e dobradiças.

Nos fim dos anos 1960, com a Guerra do Vietnã e o regime militar no Brasil, a artista passa a incorporar mais explicitamente elementos da arte pop em seus trabalhos, assim como também uma forte mensagem política, ainda apropriando-se da limpeza formal do concretismo. Além de evidenciar a situação política do país e do mundo, Judith Lauand cria obras de forte apelo feminista, em que a mulher surge como figura autônoma e livre, evidenciando as transformações surgidas com a revolução sexual.

Segundo Fioravante, “a partir de 1970, no Brasil teve início um novo ciclo de crescimento na economia, o chamado “milagre econômico”, comandado por Antônio Delfim Netto. Foi ele quem implantou as novas leis do mercado de capitais no Brasil. A nova política econômica transformou a obra de arte em uma opção de investimento para colecionadores e um bom item de financiamento para os bancos. Isso estimulou um novo desenvolvimento do mercado de arte, que voltou a se interessar pela produção dos concretistas”.

“Mas Judith Lauand seguiu em frente. Em vez de produzir telas concretas no estilo anos 50, nos anos 70 e décadas seguintes preferiu retrabalhar os conceitos do passado à luz de novas experiências. Desenvolveu novas propostas para as pinturas em trama xadrez. Reformulou as lições do concretismo sob novos parâmetros de cor e forma. Abdicou do rigor ortodoxo e passou a produzir obras com um equilíbrio precário, uma poesia difícil de entender. A artista está mais livre do que nunca.”

Essas três décadas ilustram o desenvolvimento, as transformações e a consolidação da carreitra da artista. Sua particular leitura e aplicação do concretismo e suas ousadas experimentações fazem de Judith Lauand uma artista ainda a ser vista e estudada.

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