VISITA AO MUSEU: PARCERIA ENTRE EDUCADORES

Caro educador,

É muito bom recebê-lo no museu para uma expedição ao mundo da arte, território onde diversas áreas do conhecimento se encontram e que oferece possibilidades infinitas de experiências pessoais e coletivas. Faremos uma bela parceria para tornar a visita ainda mais proveitosa. Podemos desenvolver o percurso nas exposições a partir da interpretação dos seus alunos, relacionando-a aos roteiros preparados pelos educadores do museu; podemos articular o conteúdo das conversas no espaço expositivo com os conteúdos trabalhados em sala de aula. Em ambas as situações, a construção do conhecimento é coletiva, produto do encontro do grupo e com a arte.
Lembro de quando recebi um grupo de estudantes na faixa de dez anos na exposição do artista Marcel Duchamp. Com o intuito de conhecê-los, fiz uma série de perguntas e percebi que a turma nunca tinha ouvido falar do artista. Resolvi então colocá-los em frente à obra O grande vidro. Eles a observaram e criaram a sua própria interpretação. Conversamos e questionamos a pertinência de suas opiniões, os sentidos possíveis, os exageros, mas não chegamos a nenhuma conclusão. No entanto, falamos da industrialização do mundo, da articulação entre as partes e o todo no trabalho, da representação não realista etc. A caminho de outra obra, uma aluna questionou: “E o artista? O que ele diz sobre o trabalho?”. Pensei em como falar sobre a densidade de uma obra que é estudada há noventa anos e que aborda a sexualidade de forma complexa. O grande vidro serve ou não para essa faixa etária?
Qualquer pessoa, de qualquer idade e qualquer repertório pode relacionar-se com qualquer obra de arte? Qual a prevalência entre a sua ou a nossa interpretação e a intenção do artista? Vale tudo nessa relação? Quais os limites para as divagações?
Tenho somente uma certeza: o questionamento, o posicionamento ativo e a presença perante os trabalhos artísticos geram situações de profundo aprendizado, movimento que pode ser potencializado pela parceria estabelecida entre nós, educadores.

 

Cordialmente,
Pablo Miranda
Educador do Museu de Arte Moderna de São Paulo