MAM [NA] OCA

Início: 03 out 2006
Término: 28 jan 2007
Sala: Itinerante/Especial

Descrição: 

Exposição MAM na OCA faz antologia do acervo do Museu de Arte Moderna de São Paulo

Museu promove sua primeira grande retrospectiva com cerca de 700 das mais de 4.500 obras de sua coleção

O Museu de Arte Moderna de São Paulo apresenta na OCA do Parque Ibirapuera, no dia 2 de outubro para convidados e a partir de 3 para o público, a primeira grande retrospectiva de seu acervo. Com curadoria de Tadeu Chiarelli, Felipe Chaimovich e Cauê Alves, a exposição MAM na OCA reúne cerca de 700 das mais de 4.500 obras da coleção atual do museu, em sua maioria produzidas a partir dos anos 50.

A proposta dos curadores não é fazer uma retrospectiva em ordem cronológica das obras do MAM , mas refletir sobre a história do museu e apresentar uma nova possibilidade de interpretação da arte contemporânea brasileira, dando conta da sua multiplicidade. Os arquitetos Daniela Thomas e Felipe Tassara são os responsáveis pelo planejamento espacial da exposição.

Fundado em 1948 com a doação do acervo particular do industrial ítalo-brasileiro Francisco Ciccillo Matarazzo e de Yolanda Penteado, o MAM foi inaugurado no ano seguinte com uma exposição sobre arte figurativa e arte abstrata. Em 1951, ocorre a primeira Bienal do Museu de Arte Moderna, com 21 países participantes, que logo ganhou mais importância e ressonância do que o próprio museu.

Em 1962, Ciccillo institui a Fundação Bienal de São Paulo, e em 1963 doa todo o acervo do MAM para o Museu de Arte Contemporânea da USP. Sem o acervo que lhe conferia sua razão de ser, é apenas no fim da década que o museu consegue centrar esforços na organização de uma nova coleção. Em 1969, o museu realiza seu primeiro Panorama da Arte Brasileira, mapeamento da produção artística emergente no Brasil que se tornaria uma de suas principais vocações.

Aposta no acervo novo

Uma das grandes propostas da exposição é combater essa espécie de trauma vivido pelo museu com a perda de seu acervo. Por mais interessantes que fossem as novas aquisições, elas causavam em diretores e funcionários mais antigos do MAM um sentimento de nostalgia. As novas obras nunca alcançariam a qualidade e a importância das antigas. Por isso, em vez de 1948, os curadores decidiram situar o início da trajetória do museu em 1968, quando começa a reconstituição do acervo.
O projeto de apostar em novas obras e novos artistas ganhou força a partir de 1995, com a gestão de Milú Villela. Naquele ano, o museu tinha cerca de 2.000 obras em seu acervo, contra as mais de 4.500 reunidas hoje. Grandes talentos foram descobertos e promovidos pelo museu, como os fotógrafos Caio Reisewitz, Mauro Restiffe e Márcia Xavier.

A idéia de abrir a exposição MAM na OCA no mesmo período da Bienal de São Paulo é oferecer uma complementaridade ao evento, oferecendo um panorama mais focado na arte brasileira, já que pela a Bienal abriu mão das representações nacionais.

Sub-solo

As obras do andar subterrâneo trabalham com o subsolo como metáfora do subconsciente do museu, ainda marcado pela ausência das obras perdidas em 1963. Essa ausência permitiu a criação de um território de sombras que transformou a situação do museu em uma metáfora da cultura brasileira e sul-americana, fundada nas ausências e nas imposições, muitas vezes acríticas, de um saber hegemônico.

Foram selecionadas para essa reflexão mais de 200 obras que não fazem parte da produção solar e tradutora das culturas hegemônicas, ligada ao modernismo brasileiro de 1922 ou ao modernismo formalista, mas em obras traidoras dos pressupostos estabelecidos. Dentro desse espaço, entram o trabalho de artistas questionadores como Regina Silveira ? de cuja obra se aproveitou a idéia de sombra -, Nelson Leirner, Paulo Buennos, Vik Muniz, Oswald Goeldi, Waltércio Caldas, Miguel Rio Branco e Gustavo Rezende.

Térreo

O espaço do térreo busca por meio de 285 obras uma reflexão sobre a relação entre a arte, a cidade e o espaço. Um dos grandes temas é a falência do projeto da modernidade brasileira a partir dos anos 50 ? período em que foi produzido quase todo o acervo do MAM . É interessante fazer essa reflexão dentro da OCA, construída por Oscar Niemeyer, e do próprio Parque do Ibirapuera, que foi um presente do governo pelo quarto centenário da cidade de São Paulo em 1954, diz Cauê Alves.

Logo na entrada, uma série de fotografias do final dos anos 40 produzidas por nomes como Geraldo de Barros, Thomas Farkas e German Lorca sobre a construção de Brasília são relacionadas a fotos mais recentes, como uma imagem da posse de Lula de autoria de Mauro Restiffe. Estão presentes artistas que deram uma continuidade diversa à pintura moderna na visão do curador, como Alfredo Volpi.

Outro critério é a escolha de artistas que questionam a utopia urbana, como Fabiano Marques, que brinca com a impossibilidade do projeto moderno apresentando alguns novos caminhos, e os neoconcretistas, que trabalham a transformação urbana, mas já com um bom grau de consciência das limitações desse projeto.

Entre os artistas presentes nesse módulo, estão ainda os construtivistas Hércules Barsotti, Amilcar de Castro e Lígia Clark; Daniel Acosta, Ana Tavares, Cildo Meireles, Lívio Abramo, Anatol Wladyslaw, Paulo Monteiro e Mira Schendel.

Primeiro Andar

As obras do primeiro andar refletem os sentidos da arte moderna, incluindo os questionamentos internos à própria obra, em cerca de 240 trabalhos. A ligação com a proposta do andar térreo é feita por pôsteres de Almir Mavignier que misturam a imagem de Brasília com palavras e significantes, propondo ao mesmo tempo uma discussão sobre espaço e linguagem.

Entre os núcleos em que é subdividido o andar, estão Nome Próprio, reunião de experiências subjetivas e individuais dos anos 90; Limite do Sentido, com obras que exploram as fronteiras da linguagem, já quase perdendo sua significação; Sintaxe de Palavras, que busca analogias com conceitos da sintaxe, como o da subordinação entre os elementos; e Palavra Censurada, com obras do período da ditadura militar que sofreram censura. Neste último bloco, há espaço para uma instalação recente de Marcelo do Campo em que uma mulher é estapeada, simulando um vídeo produzido nos anos de chumbo.

Alguns artistas merecem espaço individual dentro dessa proposta: o gravurista Arthur Luiz Piza, que criou um vocabulário comparável à escrita cuneiforme; Mira Schendel, com obras que reúnem letras, tipos e sinais gráficos; e Leonilson, com obras que envolvem palavras.

Segundo andar

Por fim, o segundo andar reúne a obra de artistas emergentes pouco conhecidos do público, como Marepe, Franklin Cassaro, Pazé e João Loureiro.

Exposição paralela

Em paralelo à exposição MAM na OCA, em São Paulo, parte do acervo de fotografias do Museu de Arte Moderna será exibido no Instituto Valenciano de Arte Moderna (IVAM) em Valência, na Espanha. Sob o título de Desidentidades: arte brasileira contemporânea no acervo do Museu de Arte Moderna de São Paulo, e curadoria de Tadeu Chiarelli, a exposição terá como eixo curador o processo de superação de mitos brasileiros, do mito indígena ao mito modernista.
 



REGINA SILVEIRA, DESESTRUTURA URBANA 7, 1976

JOSÉ LEONILSON, SE VOCÊ SONHA COM NUVENS, 1991

GERMAN LORCA, LADEIRA DR. FALCÃO, 1950

OSWALDO GOELDI, O PÁRA-QUEDISTA, 1942